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Conceito e Causas da Depressão

Antonio Maspoli

Dados da Organização Mundial de saúde afiam que em todo o mundo, os deprimidos são milhões. As estatísticas mais recentes indicam que 5% da população sofre de depressão, com prevalência das mulheres (4,5 a 9,3%) sobre os homens (2,3 a 3,2%). De qualquer modo, é previsto que 10% das pessoas podem sofrer ao menos um episódio depressivo ao longo da vida. O início da doença pode ocorrer em qualquer idade, mas a adolescência e os primeiros anos da juventude são os períodos de maior risco, sobretudo para as mulheres.

Os homens, ao contrário, correm risco de sofrer de depressão principalmente entre os 35 e os 44 anos de idade. Aproximadamente dois em cada dez casos de depressão prolongam-se no tempo, tornando-se crônicos. Nas mulheres, a freqüência da cronicidade é quatro vezes maior do que nos homens. Os períodos de prevalência da depressão são mais comuns no sexo feminino, sendo 3,2% no feminino e 1,9% no masculino. Estima-se que 5,8% dos homens e 9,5% das mulheres passarão por períodos depressivos em 12 meses. A depressão contínua afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens. Em 20% dos casos, a depressão segue um curso contínuo, especialmente quando não há tratamento adequado.

Depressão (do latim depressione) é uma palavra frequentemente utilizada para descrever uma gama imensa de sentimentos negativos e sombrios. Em primeiro lugar, depressão não é um estado de tristeza profunda, nem desânimo, preguiça, estresse ou mau humor. A depressão é diferente da tristeza, pois a tristeza geralmente tem uma causa conhecida e duração determinada no tempo e no espaço. Já a depressão envolve uma gama de sentimentos difusos de longa duração no tempo e no espaço, geralmente relacionados à angustia. A depressão, enquanto evento psiquiátrico, é algo bastante diferente da tristeza. Mesmo assim, em alguns casos, podemos considerar a depressão como uma reação natural da pessoa humana em períodos de transição, especialmente em tempos de mudanças e crescimento, em épocas que antecedem novos horizontes de amadurecimento do ser em constante processo de desenvolvimento.

Metaforicamente a depressão é um túnel do qual parece impossível sair; um abismo cinzento que engole a vontade de viver; o vazio, a angústia que aperta a garganta; uma solidão sem fim. Um poço sem fundo que teima em atrair o deprimido para o seu interior desconhecido. A depressão tem muitos nomes, todos terríveis.

A causa exata da depressão permanece desconhecida. A explicação mais plausível aponta para um desequilíbrio bioquímico nas sinapses dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Na depressão, bem como em todas as psicoses em geral, o sujeito sofre de alterações nas estruturas dos neurônios, mormente no funcionamento das sinapses. Tal afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos farmacológicos e psicológicos. A medicação apropriada restaura o equilíbrio bioquímico e a psicoterapia restaura o equilíbrio psicológico e pode levar a pessoa a obter uma compensação bioquímica

A depressão manifesta-se quando determinados sistemas de transmissão entre as células do cérebro, ou seja, os neurônios se alteram. Com efeito, para que o sistema nervoso funcione bem, é necessário que a transmissão das mensagens elétricas de um neurônio para outro ocorra por meio do ponto de contato entre uma célula e outra, que se designa por sinapse. Quando uma mensagem elétrica enviada por um neurônio chega à sinapse, provoca a liberação de determinadas substâncias químicas, os neurotransmissores, que funcionam como mensageiros, depois de passarem ao neurônio seguinte, onde provocam a saída de um novo sinal elétrico. Consequentemente, quando a atividade de alguns neurotransmissores se altera, podem ocorrer transmissões perturbadas. Especificamente, no aparecimento da depressão são dois os neurotransmissores principalmente implicados: a serotonina e a noradrenalina, que estão envolvidas em todas as funções que se apresentam alteradas durante a depressão e que provocam os sintomas característicos desta (ibidem).

Parece existir correlação entre certos acontecimentos estressantes na vida das pessoas e o início de um episódio depressivo. Contudo, tais eventos não podem ser responsabilizados pela manutenção da depressão. Trabalhos recentes demonstram que mais do que a influência genética, o ambiente familiar durante a infância pode ser um dos fatores responsáveis pelos surtos depressivos. Os eventos estressantes oriundos do meio provavelmente disparam a depressão reativa nas pessoas predispostas, vulneráveis. Citamos, como exemplo, o assédio moral no trabalho, que tem sido um fator desencadeante da depressão. A influência genética é considerada relevante.

A depressão também pode ter um componente hereditário. De fato, verificou-se que essa doença tende a se apresentar mais frequentemente no seio dos elementos de uma mesma família. Essa teoria foi confirmada por vários estudos realizados em filhos de pais que sofriam de perturbações de humor, criados por pessoas não afetadas por esses problemas; verificou-se que tais indivíduos apresentavam perturbações de humor que nunca tinham se manifestado nos pais adotivos. Pode-se afirmar que, para todos eles, descrever a sensação de inutilidade, tristeza, angústia é quase nula, porque tal vivência no interior da alma do deprimido significa que qualquer coisa se rompe subitamente e faz cair a vida em pedaços, sem deixar qualquer saída. E, ao mesmo tempo, o sofrimento é tão grande que o isola completamente do mundo exterior, a ponto de parecer que os outros não conseguem compreender o tormento interior que dilacera a sua existência. A depressão, nesses casos, produz aquele sentimento de estranhamento diante do mundo e do outro, que todo deprimido conhece muito bem. Episódios depressivos e quadros de depressão podem acontecer em todas as fases do desenvolvimento humano.

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